domingo, 15 de dezembro de 2013

Memorial à Grande Guerra Patriótica de 1941-1945.

 
 
 
 





























































A Teresa corre o mundo inteiro e até consta que, de vez em quando, faz escala em Lisboa. De muito longe, dos lugares mais exóticos do planeta, manda postais, que é um hábito que se perdeu – e perdeu mal. Uma vez, quando esteve cá, passeámos pela Feira do Livro, subindo e descendo o Parque Eduardo VII debaixo de uma chuva miudinha (chove sempre na Feira do Livro, sempre). Acho que não olhámos sequer para um único livro, entretidos que estávamos a matar saudades e nas conversas que temos desde há trinta anos – o que, por ser muito tempo, agora torna já pouco o tempo que nos resta para conversarmos juntos. Na altura, confesso, eu andava interessadíssimo pela Mãe de Brejnev, devendo esclarecer  que estamos a falar de uma ucraniana escultural, sem dúvida, mas que tem 62 metros de altura e pesa, em média, 560 toneladas. Para agravar as coisas, dizem que possui um feitio instável, por defeito nos fundamentos. Qualquer dia  vem abaixo, como a semana passada fizeram a uma estátua também em Kiev, capital da Ucrânia. Tendo vagar e paciência, ainda falarei aqui com calma da Mãe de Brejnev, o nome que, na gíria dos ucranianos, chamam ao monumento Mãe da Pátria.
Nessa época, a Teresa vivia em Kiev e falámos da beleza brutalista daquele portento, que fica num parque grande e bonito. Fez-me então a promessa de que iria fotografar o Museu da Grande Guerra Patriótica, que é como na língua  oficial da Ucrânia chamam à Segunda Mundial. Há uns tempos, cumpriu a promessa e trouxe-me uma pen branca, e de plástico, com centenas de fotografias do parque onde está o Museu da Grande Guerra Patriótica, com a Mãe de Brejnev por cima. Preparem-se, por isso, porque nos próximos meses  vamos ter aqui muitas e muitas imagens do Museu da Grande Guerra Patriótica. As fotografias são minhas porque foram da Teresa – deu-mas no dia em que mais precisava delas.
 
 
 
António Araújo 
 
 
 




1 comentário:

  1. Muito bom. Um dos raros momentos em que o realismo jdanovista teve vida.

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