sábado, 9 de junho de 2018

Dr. Jekyll e Portugal.

 
 
 
 
Robert Louis Stevenson (1850-1894) publicou em 1886 um livro célebre pela sua análise da dupla personalidade e pelas suas adaptações cinematográficas, intitulado The Strange case of Dr. Jekyll and Mr. Hyde (O estranho caso do Dr. Jekyll e do Mr. Hyde ou O médico e o monstro).
A expressão “Dr. Jekyll e Mr. Hyde” entrou na linguagem corrente quando nos queremos referir a uma pessoa que tem comportamentos totalmente diferentes relativamente à mesma realidade.
Mas o livro tem uma curiosidade especial para nós Portugueses. É a sua dedicatória:
To
Katharine de Mattos
It's ill to loose the bands that God decreed to bind;
Still we will be the children of the heather and the wind.
Far away from home, O it's still for you and me
That the broom is blowing bonnie in the north countrie.
 
 
Para
Katharine de Mattos
É mau aliviar os laços que Deus decidiu unir;
Seremos sempre os filhos da urze e do vento.
Longe de casa, é ainda para ti e para mim
Que a giesta floresce lindamente no país do norte.
 

 
         Mas quem seria esta Katharine de Mattos (1851-1939)?

 
Praticamente da mesma idade de Stevenson, era sua prima e com ele brincara na infância. Em Junho de 1874 casou em Perth, Escócia, contra a vontade da família, com William Sydney de Mattos. Daí o nome Mattos que usava.
 
O casamento durou pouco. O homem era um doido. Adepto do amor livre, era conhecido como “o ateu de Cambridge”.
 
Foi secretário da Fabian Society. Bernard Shaw, também fabiano, refere-se a ele numa carta como satiromaníaco.
 
As infidelidades constantes levaram à separação em 1881.
 
Aos 30 anos, Katharine mudou-se para Londres com duas crianças e sobreviveu dedicando-se ao jornalismo. Escreveu sob o pseudónimo de Theodor Hertz-Garten.
 
Por sua vez, William Sydney nasceu em Clapham, Londres, a 10 de Janeiro de 1851.
 
Encontrei o registo dele em 10 de Fevereiro de 1868 como estudante no célebre Trinity College em Cambridge, onde consta que terminou os estudos como Bachelor of Arts em 1872 e que era filho de William Nicholas de Mattos e de Rachel Brockelbank. Ou seja, o Mattos vem do pai, sogro portanto da Katharine.
 
O casamento de William Nicholas e Rachel ocorreu em 4 de Fevereiro de 1849 em Poplar no Leste de Londres. No registo desse casamento, o pai de William Nicholas é identificado como George de Mattos.
 
Um blogue de um descendente, que não me pareceu de muita confiança, menciona que William Nicholas era um grande negociante em Londres e descendia de um português que teria ido para o Brasil em 1807 mas não diz o nome da personagem.
 
Seria George de Mattos ou Jorge de Matos?
 
 
José Liberato
 
 
 
 
 

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